Estamos em abril de 2025, e estou em um dos maiores sets de filmagem que já vi.
Fui convidado para visitar o set de “Supergirl”, que está sendo filmado no Warner Bros. Studio Leavesden, nos arredores de Londres, Inglaterra. Como em qualquer grande filme de super-heróis que se passa em um vasto universo cinematográfico, grande parte do filme do diretor Craig Gillespie ganha vida digitalmente na pós-produção, graças a uma equipe de talentosos artistas e técnicos. No entanto, uma parte significativa da visita de um dia inteiro ao set tem como objetivo mostrar o quanto do filme realmente existe de forma física e tangível. Vemos uma galeria com figurinos de heróis e vilões, uma sala repleta de adereços onde estão expostas armas e ferramentas de toda a galáxia, e uma criatura alienígena animatrônica que literalmente excreta uma deliciosa pipoca alienígena. Podemos assistir às filmagens de um elaborado funeral kryptoniano na cidade em ruínas de Argo, uma comunidade que foi poupada da catástrofe que assolou o resto do mundo natal de Kara Zor-El.
Mas o ponto alto do dia — e o orgulho e a alegria evidentes da equipe com quem conversamos durante a visita — é a enorme praça destruída pela guerra na qual estou agora. O chão sob meus pés é feito de escombros. Os prédios se erguem até o teto do estúdio de gravação, dominando tudo ao redor. Vários letreiros luminosos, indicando lojas e restaurantes (ou o que restou deles), sugerem que este já foi um local próspero de vida social, agora condenado à ruína. Estamos perto de algum tipo de veículo militar alienígena queimado.
Os fãs da DC Comics talvez se perguntem que lugar é esse, mas trata-se de um novo cenário criado para “Supergirl”. Mas os fãs da DC Comics talvez também fiquem atentos ao ouvir o nome. Esta é a cidade de Evely, no planeta Bilquis. E se isso lhes diz alguma coisa, vocês compreenderão outra descoberta importante da visita ao set.
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Supergirl se interessa muito por nomes (e pelos créditos finais)
Craig Gillespie dá instruções a Mily Alcock no set de “Supergirl” – Warner Bros.
Vários visitantes no set deixam claro que “Supergirl” não é apenas mais um filme de super-heróis, mas é baseado diretamente na aclamada minissérie de quadrinhos “Supergirl: Woman of Tomorrow”, publicada pela primeira vez entre 2021 e 2022. Essa série redefiniu a personagem para os leitores modernos e foi obra do autor Tom King e da ilustradora… Bilquis Evely.
Então, esse set enorme e impressionante, tão rico em detalhes e com espaço suficiente para encenar sequências de ação elaboradas? É uma homenagem ativa à ilustradora por trás da obra original. Em uma época em que os criadores de quadrinhos são tão frequentemente esquecidos, enquanto suas obras estão sob os holofotes culturais, e os ilustradores são muitas vezes tratados por demasiadas pessoas como secundários em relação aos roteiristas, isso certamente diz algo , que o novo Universo DC de James Gunn coloca criadores como este em destaque.
Além da constante menção a “Woman of Tomorrow” como inspiração direta para o filme, durante a visita ao set também é repetidamente enfatizado que Craig Gillespie é o diretor de “Supergirl”. O interesse por Gunn é natural – ele é um dos cineastas vivos mais populares da atualidade, e não é segredo que o novo DCU é sua criação. No entanto, Gunn, que está envolvido no filme como produtor, nem sequer está no set (e, no momento da visita, seu “Superman” ainda nem havia estreado), e qualquer menção a ele é educadamente evitada. Este é o filme de Craig Gillespie, dizem todos. É a visão dele e o set dele.
James Gunn pode ser o nome “mais conhecido”, mas este é claramente um set muito interessado em compartilhar todo tipo de reconhecimento.
A praça da cidade de Evely é um dos maiores sets práticos que já visitei
Kara luta nas ruas destruídas da Praça da Cidade de Evely – Warner Bros.
E isso me leva de volta à praça da cidade de Evely em ruínas, no planeta Bilquis. Embora as filmagens tenham acabado de ser concluídas (os equipamentos de dublê e as cordas para uma enorme cena de luta foram removidos), mas o set ainda está de pé, um testemunho do trabalho do decorador de cenários Lee Sandales (que havia ganhado um Oscar por “Wicked” pouco antes da nossa visita) e de sua equipe. Quando se está em uma das extremidades do set, vê-se uma réplica realmente convincente de um lugar estranho, um set tão grande que ocupa literalmente todo um estúdio de filmagem.
Ficamos sabendo mais sobre essa cidade: é um mundo moribundo que atraiu a atenção do malvado Krem (Matthias Schoenaerts) e de sua gangue de bandidos vikings espaciais, que veem nela um local ideal para saques e pilhagens. E como “Supergirl” acompanha a órfã kryptoniana Kara (Milly Alcock) e sua nova aliada Ruthye (Eve Ridley) em uma missão de justiça (vingança?) contra Krem e seus comparsas, faz sentido que seus caminhos se cruzem nessas ruas destruídas.
O realismo vai além do que podemos ver nesse set específico. “Muitas vezes você chega a um set e vê telas digitais, embora em alguns desses palcos também se veja muitas telas azuis”, conta-nos a assessora de imprensa da produção, Sophie Scott. “Nós seguimos um método bem à moda antiga. Temos cenários pintados à mão.” Ela se lembra especialmente de um set de pub, no qual extensões de cena pintadas à mão são usadas para dar profundidade ao cenário. “É uma forma muito antiga e tradicional de fazer cinema”, diz ela.
Desde que estive no set, vimos vários trailers de “Supergirl”, e o mundo teve uma ideia melhor do tom do filme. Mas os trailers dão apenas uma pequena amostra dos mundos que podem ser vistos no filme e de como todos os envolvidos na produção queriam usar esses mundos para homenagear a base criativa de tudo isso.
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Leia o artigo original no SlashFilm.