Crítica do filme “Peddi”: O filme de Ram Charan levanta questões importantes sobre identidade; Janhvi Kapoor parece desperdiçada

Peddi

Elenco: Ram Charan, Janhvi Kapoor, Shiva Rajkumar, Divyendu, Jagapathi Babu

Direção: Buchi Babu Sana

Avaliação: ★★★⯪

Com apenas dois filmes, Buchi Babu Sana é verdadeiramente um digno discípulo de seu mestre. Assim como Sukumar filmou Rangasthalam (2018) e os filmes Pushpa (2021, 2024), por trás do heroísmo e dos artifícios comerciais escondia-se uma história de homens que lutavam por sua dignidade em um mundo que nunca os considerou iguais. Com o “Peddi”, estrelado por Ram Charan, Buchi questiona o que acontece com um homem a quem, desde o início, nem mesmo a dignidade de uma identidade é concedida.

Crítica do filme “Peddi”: Ram Charan interpreta o papel-título no filme de Buchi Babu Sana.

A história de “Peddi”

Peddi (Ram Charan) é conhecido em Vizianagaram como “Aata Coolie” (jogador contratado). Sempre que Vizianagaram enfrenta Bobbili no críquete, eles se esforçam para contratá-lo, pois com ele no time a vitória é garantida. Para isso não importa para Peddi, pois ele vem de uma aldeia sem nome, que não tem direito a voto, nem estação de trem, nem outras comodidades básicas. As 1.500 pessoas que vivem lá poderiam muito bem não existir. Quando o esporte se torna para ele um caminho de conquistar uma identidade, não apenas para si mesmo, mas para todo o seu clã, Peddi fará de tudo para alcançar esse objetivo.

Crítica de Peddi

Peddi é o tipo de filme que põe sua paciência à prova antes de conquistar você. Assim como a história de seu protagonista, o filme não facilita as coisas para você, mesmo que pudesse. Há um homem do Comitê Olímpico (Boman Irani) que também precisa dar voltas para entender o que Peddi e seu povo passaram. No final do filme, parece uma metáfora de que precisamos passar por cenas em grande parte desnecessárias antes que o filme realmente ganhe ritmo. E quando chega a hora, cara, ele não se contém.

O que funciona em “Peddi”

Este filme não seria o que é sem Ram e seu físico, que faz metade do trabalho por ele. Isso não quer dizer que sua atuação seja menosprezada, pois nas cenas em que seu personagem é repetidamente encurralado, ele traz uma espécie de tenacidade mais para sua linguagem corporal do que para sua fala. Mas o cerne do filme está nas cenas de kushti (luta tradicional), mesmo que sejam as sequências de corrida que devem tocar o coração.

Quando Gournaidu (Shiva Rajkumar) se torna o Sr. Miyagi para seu “Karate Kid” em cenas muito semelhantes às do filme cult, tanto Peddi quanto Ram parecem estar em seu elemento. Appalasoori (Jagapathi Babu) e sua luta, que o personagem principal herda, também conferem peso ao filme. Alguns podem considerá-lo melodramático, mas o filme também funciona bem por não se esquivar da realidade de Peddi e de seu povo.

O que não funciona

A primeira metade de “Peddi” parece se deter para apresentar Achiyamma (Janhvi Kapoor), que parece um corpo estranho nesse mundo. Ela é apresentada como uma personagem privilegiada, temperamental e astuta, apenas para depois ser reduzida a um papel de “manic pixie dream girl”. Janhvi é transformada em objeto tanto por Buchi quanto por Peddi de uma maneira extremamente desagradável, o que é irônico, considerando o foco do filme na dignidade.

A certa altura, sua personagem passa a existir apenas para dançar com Peddi ou apoiá-lo, sem contribuir em nada para a história como um todo. A rivalidade entre Rambujji (Divyendu) e Peddi também parece mais uma preparação para uma cena de luta legal do que um meio de aprofundar a discussão sobre o quão pouco este último e seu pessoal são respeitados. A relação de Veerabhadra (Tarak Ponnappa) com ele recebe um pouco mais de atenção.

Conclusão

“Peddi” aborda um tema muito importante no contexto de um filme comercial. Quanto uma pessoa precisa perder neste país, e quantas partes de si mesma precisa sacrificar para obter algo que, na verdade, deveria ser seu direito de nascença?

O filme também funciona bem como filme de esportes, já que as passagens sobre críquete, kushti e corrida de velocidade tratam de muito mais do que apenas a vitória em uma partida. E tudo isso enquanto a magnífica música de A. R. Rahman ressoa ao fundo. O filme apresenta pontos fracos nas cenas que não acrescentam nada de novo à história, servindo apenas ao clichê habitual do masala. Ainda assim, o filme é um sucesso tanto para Buchi quanto para Ram.

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